Pandemia, desemprego e trabalho remoto marcam Dia do Trabalho 2021

Dia do Trabalho

A partir da pandemia da Covid-19 no primeiro trimestre de 2020, trabalhadores de todo o mundo tiveram que se reinventar. Distanciamento social, escolas fechadas, trabalho remoto e medidas de segurança sanitária foram algumas das situações novas apresentadas para todos que precisaram de um processo rápido de adaptação.

Neste Dia do Trabalho, profissionais celebram também a passagem por um ano de adversidades e superação na conquista de desafios.

No Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN) não foi diferente. Magistrados, servidores, estagiários e terceirizados foram impactados com a nova realidade imposta pela pandemia da Covid-19. Iniciado o período de distanciamento social no Tribunal e nas Varas do Trabalho da capital e interior do Rio Grande do Norte, o trabalho remoto foi preponderante e necessário para garantir a saúde dos profissionais, dos estudantes, dos advogados e usuários da Justiça.

De 16 de março de 2020 a 18 abril de 2021, segundo dados apresentados no portal do TRT-RN, foram proferidas remotamente 44.489 sentenças, 41.582 decisões foram tomadas no período, além do registro de 138.308 despachos e da realização de 2.238.289 atos pelos servidores. No período, o TRT-RN também destinou R$ 15.502.455,98 para o combate da pandemia.

De acordo com especialistas da área, o trabalho remoto ou home office, como também é conhecido, é uma das tendências para o mercado de trabalho em 2021. 

Segundo relatório da empresa de recursos humanos Robert Half, apesar das preocupações iniciais com produtividade e segurança da informação, muitos gestores perceberam que alguns profissionais são ainda mais eficientes trabalhando fora do ambiente corporativo

Para avaliar a percepção dos seus profissionais com as mudanças trazidas com a pandemia, o TRT-RN realizou ainda em 2020 uma pesquisa sobre as atividades durante o período.

O levantamento foi realizado pela equipe do Comitê Gestor Local de Atenção Integral à Saúde de Magistrados e Servidores que concluiu que 58,7% das pessoas que responderam ao questionário estão conseguindo conciliar o trabalho remoto durante a pandemia com a presença dos filhos e as atividades domésticas. Para 41,3% das pessoas, houve uma melhora parcial na qualidade de vida após começarem a trabalhar remotamente e 40,1% delas afirmaram que estão realizando atividades físicas durante a pandemia. Para 48,1%, a qualidade do sono manteve-se inalterada neste período, bem como a saúde mental para 39,5%.Para 46%, o trabalho remoto impactou positivamente no desempenho de suas atividades e 45,1%, em sua produtividade.

 

Desemprego

Nem todos os trabalhadores tiveram a oportunidade de seguir realizando as suas atividades na segurança de casa durante o último ano. Muitos profissionais precisaram sair por exercer atividades essenciais e alguns por necessidade financeira urgente, gerando maior índice de informalidade. Mas o período acabou marcado também pelo aumento do desemprego.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até janeiro de 2021, havia 14,3 milhões de desempregados no Brasil, um dado recorde. A taxa de informalidade no país atingiu 39,7% da população ocupada e 5,9 milhões de pessoas desistiram de procurar uma oportunidade.

Já um levantamento do Ibre/FGV mostrou ainda que a redução do emprego foi significativamente maior entre brasileiros que possuem poucos anos de estudo ou não chegaram a concluir o ensino médio. Do total de 7,3 milhões de postos de trabalho perdidos em 2020, 76% eram ocupados por brasileiros com até 10 anos de estudo. A pesquisa sinalizou que este grupo também deverá ser o mais prejudicado no pós-pandemia.

 

Justiça do Trabalho e Pandemia

Diante de tantas incertezas, este 1º de Maio de 2021 marca também o papel fundamental da Justiça do Trabalho na solução dos conflitos que estão surgindo e os que virão entre empregadores e empregados.

Aumento de desemprego, da informalidade, atividades essenciais e não essenciais lado a lado na pandemia da Covid-19 serão, também, desafios para os Tribunais do Trabalho.

A presidente do TRT-RN, desembargadora Maria do Perpétuo Wanderley de Castro, esclarece o papel da instituição e ressalta que “cabe aos tribunais do trabalho compreender e decidir as questões de uma sociedade em que a assimetria das condições sócio-econômicas se agravam de forma muito rápida, com o choque entre os amplos recursos da sociedade digital e a redução do trabalho gerando exclusão e discriminação”.

Em um ano tão atípico, é fundamental celebrar a importância do trabalhador que segue firme mesmo na adversidade.

“É urgente encontrar o caminho, dentro da inquietação destes dias, para a afirmação da solidariedade e a construção da segurança nas relações de trabalho”, encerrou a desembargadora.

 

Fonte
Comunicação Social do TRT-RN